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Quanto Custa Pedir Insolvência Pessoal em Portugal? (2026)

O processo de insolvência pessoal tem custos directos e um custo contínuo durante os 3 anos de cessão. A boa notícia: quem pede a exoneração do passivo restante beneficia de um diferimento automático das taxas de justiça ao abrigo do art. 248.º do CIRE — e quem não tem condições económicas pode obter apoio judiciário total. Este guia apresenta os custos reais com valores actualizados para 2026, organizados por rubrica e por cenário.

Quanto Custa Pedir Insolvência Pessoal em Portugal? (2026)

Resumo dos Custos: As Três Rubricas Principais

RubricaValor mínimoValor máximoQuando se paga
Taxa de justiça€0 *€612* Diferida para o despacho final se pedir exoneração (art. 248.º CIRE). Pode ser coberta pelo apoio judiciário.
Honorários do advogado€500€2.500+Negociados com o advogado. Pagos antes ou durante o processo.
Honorários do administrador de insolvência€0 *€2.000+* Pago com o produto da venda dos bens. Se não houver bens, o Estado cobre parte (via apoio judiciário).
Honorários do fiduciário (cessão)€150/ano€600/anoPago anualmente durante os 3 anos de cessão. Fixado pelo tribunal.
TOTAL ESTIMADO (caso simples)€500€2.000Caso sem imóvel, poucos credores, apoio judiciário parcial.
TOTAL ESTIMADO (caso complexo)€3.000€6.000+Caso com imóvel, muitos credores, sem apoio judiciário.

Nota importante: os honorários do advogado não estão incluídos no benefício de diferimento de custas do art. 248.º CIRE. Para cobrir esses honorários sem capacidade económica, é necessário pedir apoio judiciário à Segurança Social.

Taxa de Justiça: O Benefício Que Quase Ninguém Conhece

A taxa de justiça é a quantia paga ao Estado pela utilização dos serviços do tribunal. Em regra, é paga no início do processo. Mas existe um benefício legal fundamental, previsto no artigo 248.º, n.º 1 do CIRE, que quase nenhum artigo explica:

Artigo 248.º, n.º 1 do CIRE — Benefício automático de diferimento de custas O devedor que apresente o pedido de insolvência e, simultaneamente, requeira a exoneração do passivo restante não tem de pagar a taxa de justiça no início do processo. O pagamento é diferido (adiado) automaticamente para o momento do despacho final de exoneração — ou seja, no final dos ~4 anos. Este benefício é automático: não é necessário pedir apoio judiciário para dele beneficiar.

Quanto vale a taxa de justiça numa insolvência pessoal?

O valor exacto depende do valor da causa (geralmente o montante total das dívidas). Para a maioria dos casos de insolvência pessoal:

Montante total das dívidasTaxa de justiça indicativaCom diferimento (art. 248.º)
Até €30.000€102 a €204Diferida para o final do processo
€30.000 a €100.000€204 a €408Diferida para o final do processo
€100.000 a €200.000€408 a €612Diferida para o final do processo

Os valores indicados são estimativas baseadas no Regulamento das Custas Processuais. O valor exacto é fixado pelo tribunal em cada caso. Com o benefício de diferimento, a taxa só é exigível quando e se o devedor tiver meios — ao fim dos ~4 anos.

Honorários do Advogado: O Que Influencia o Valor

Os honorários de advogado são livres — são negociados entre o cliente e o profissional, sem tabela obrigatória. O valor depende de vários factores:

FactorImpacto nos honorários
Complexidade do casoCasos com imóvel, muitos credores, litígios ou bens de difícil liquidação exigem mais trabalho → honorários mais elevados.
Número de credoresCada credor implica comunicações, verificação de créditos e eventual oposição. Mais credores = mais trabalho.
Existência de bens a liquidarSe há imóvel ou bens de valor, o advogado tem mais actos a praticar durante a liquidação.
Fase inicial vs. acompanhamento completoAlguns advogados cobram apenas a fase inicial (petição + sentença). Outros cobram o acompanhamento completo até ao despacho final — mais caro mas mais seguro.
Localização geográficaLisboa e Porto tendem a ter honorários ligeiramente superiores. Um escritório com consulta online pode ser mais acessível.

Valores de referência por tipo de caso (2026)

Tipo de casoHonorários estimadosO que inclui tipicamente
Caso simples — sem bens, poucos credores€500 a €900Petição inicial, acompanhamento até à sentença e despacho de exoneração.
Caso médio — carro/poupanças, 5–10 credores€900 a €1.800Petição, acompanhamento da liquidação, reclamações de créditos, despacho.
Caso com imóvel — hipoteca, liquidação do imóvel€1.500 a €2.500Todo o anterior + acompanhamento da venda judicial do imóvel.
Caso complexo — litígios, oposição de credores, múltiplos bens€2.500+Acompanhamento de recursos, incidentes processuais, negociações complexas.

Discuta os honorários e o âmbito do mandato antes de contratar. Exija uma proposta escrita que especifique o que está incluído. Um advogado experiente em insolvência pode poupar dinheiro a longo prazo ao evitar erros que atrasam ou prejudicam a exoneração.

Honorários do Administrador de Insolvência

O administrador de insolvência é nomeado pelo tribunal a partir da lista oficial e a sua remuneração é fixada pelo próprio tribunal, em função da complexidade do processo e do valor dos bens liquidados. O devedor não escolhe nem negoceia directamente com o administrador.

Quem paga os honorários do administrador?

Em regra, os honorários do administrador são pagos com o produto da venda dos bens da massa insolvente. Ou seja: se tiver bens a liquidar, o administrador é pago com esse dinheiro — não sai do seu bolso directamente. Se não tiver bens ou os bens forem insuficientes, o Estado cobre parte dos honorários ao abrigo do sistema de apoio judiciário (se concedido).

SituaçãoHonorários indicativosQuem paga
Sem bens relevantes€500 a €750Estado (via apoio judiciário) ou massa insolvente mínima.
Com veículos ou poupanças€750 a €1.500Produto da venda dos bens.
Com imóvel€1.500 a €3.000+Produto da venda do imóvel (prioritário sobre os credores gerais).

Honorários do Fiduciário Durante a Cessão

O fiduciário é a entidade que acompanha o devedor durante o período de cessão de 3 anos. A sua remuneração é fixada pelo tribunal e é distinta dos honorários do administrador de insolvência (podem ser a mesma pessoa ou não).

Os honorários do fiduciário são normalmente pagos com uma parte do rendimento disponível cedido pelo devedor ao longo dos 3 anos. Valores habituais:

  • Remuneração anual: entre €150 e €600, dependendo do volume de trabalho.
  • Total nos 3 anos: entre €450 e €1.800.
  • Em casos sem rendimento disponível: valor mínimo, coberto pelo Estado se houver apoio judiciário.

O Custo Real Durante a Cessão: O Rendimento Disponível Cedido

Para além dos custos directos do processo, existe um custo contínuo durante os 3 anos de cessão que muitos artigos ignoram: o rendimento disponível cedido mensalmente ao fiduciário. Este não é um custo do processo em si — é uma cessão de rendimento para pagamento parcial dos credores. Mas tem impacto real na economia doméstica do devedor.

Quanto rende o fiduciário por mês — exemplos práticos

Situação do devedorRendimento mensalValor a ceder/mêsTotal cedido em 3 anos
Salário mínimo (€870/mês)€870€0€0 — ordenado mínimo é sempre protegido.
Solteiro, salário €1.200/mês€1.200~€200–300/mês~€7.200–€10.800 ao longo de 3 anos.
Casal com 2 filhos, rendimento €2.000/mês€2.000~€200–350/mês~€7.200–€12.600 ao longo de 3 anos.
Desempregado sem outros rendimentos€0€0Nada a ceder enquanto não houver rendimentos acima do mínimo.

O valor exacto do rendimento disponível a ceder é fixado pelo tribunal para cada caso. Os exemplos acima são estimativas. O ordenado mínimo nacional (€870 em 2026) é sempre protegido — o fiduciário nunca pode reclamar esse valor.

Custo Total Estimado por Cenário (Fase Inicial + 3 Anos)

A tabela seguinte consolida todos os custos directos — taxa de justiça, advogado, administrador e fiduciário — por tipo de caso, sem considerar o rendimento cedido ao fiduciário (que varia por rendimento):

CenárioTaxa de justiçaAdvogadoAdministrador + fiduciárioTotal estimado
Com apoio judiciário total€0€0 (Estado paga)€0 (Estado paga)€0
Caso simples, sem apoio judiciário€102–204 (diferida)€500–900€500–900€1.100–€2.000
Caso médio, sem apoio judiciário€204–408 (diferida)€900–1.800€900–1.500€2.000–€3.700
Caso com imóvel, sem apoio judiciário€408–612 (diferida)€1.500–2.500€1.500–3.000€3.400–€6.100+

Quanto Vale Realmente o Processo? O Retorno do Investimento

Uma perspectiva que nenhum artigo apresenta mas que é fundamental: comparar o custo do processo com o valor das dívidas que ficam extintas.

SituaçãoCusto total do processoDívida extintaPoupança líquida estimada
Devedor com €20.000 em dívidas bancárias, sem bens~€1.200€20.000~€18.800 de vantagem
Devedor com €50.000 em dívidas (crédito habitação + pessoal)~€3.000€50.000~€47.000 de vantagem
Devedor com €100.000 (inclui imóvel)~€6.000€60.000–€80.000~€54.000–€74.000 de vantagem

Nota: a dívida extinta depende do que não for pago durante o processo e a cessão. Dívidas às Finanças e Segurança Social não são extintas. Os valores acima são meramente ilustrativos.

Apoio Judiciário: Como Pedir e O Que Cobre

Quem não tem meios económicos para suportar os custos do processo pode requerer apoio judiciário à Segurança Social. O Estado pode cobrir total ou parcialmente os honorários do advogado, as custas judiciais e os honorários do administrador de insolvência.

AspectoDetalhe
FormulárioModelo 1 — Requerimento de Apoio Judiciário (Mod. A/Jud). Disponível em seg-social.pt.
Onde entregarServiços da Segurança Social da área de residência, presencialmente ou online via Segurança Social Directa.
Critério de elegibilidadeA Segurança Social avalia o rendimento do agregado familiar, o património e as despesas. Não há limiar fixo — a decisão é casuística.
O que pode cobrirHonorários do advogado nomeado; taxa de justiça; honorários do administrador de insolvência. Total ou parcialmente.
Advogado escolhido ou nomeado?Com apoio judiciário, a Segurança Social nomeia um advogado da lista oficial. O devedor pode pedir a nomeação de advogado de sua escolha, mas tem de justificar.
Quando pedirAntes de contratar o advogado ou iniciar o processo. A decisão da Segurança Social pode demorar algumas semanas.

Mesmo sem apoio judiciário total, lembre-se do benefício do art. 248.º CIRE: a taxa de justiça é automaticamente diferida se pedir a exoneração do passivo restante. Isso significa que pode iniciar o processo sem pagar custas ao tribunal nesse momento.

Custos Indirectos que Deve Conhecer

Para além dos custos directos, o processo de insolvência pessoal tem impactos económicos indirectos que afectam a vida quotidiana durante os ~4 anos:

Custo indirectoO que significa na prática
Restrição de créditoDurante o processo e nos anos seguintes, o acesso a novos créditos fica muito limitado. Deve planear as finanças sem depender de crédito.
Perda de bens penhoráveisCarro, poupanças, second-hand items de valor — tudo entra na massa insolvente. Esta não é uma taxa mas é um custo real.
Publicidade do processoA sentença é publicada no Citius. Potenciais empregadores ou senhorios que façam pesquisa podem encontrar o registo.
Restrição de actividade empresarialDurante o processo, o devedor não pode exercer o comércio nem ser gerente ou administrador de sociedades. Pode afectar projectos futuros.

Perguntas Frequentes

Tenho de pagar as custas do processo logo no início?

Se pedir a exoneração do passivo restante em simultâneo com a petição de insolvência, não. O art. 248.º, n.º 1 do CIRE concede automaticamente o diferimento das custas para o momento do despacho final. Não é necessário pedir apoio judiciário para este benefício específico.

Posso pagar o advogado em prestações?

Sim. Na maioria dos escritórios é possível negociar um plano de pagamento faseado. Discuta esta possibilidade directamente com o advogado antes de assinar o contrato de mandato.

O que acontece se não tiver dinheiro para o advogado?

Pode pedir apoio judiciário à Segurança Social (formulário Mod. A/Jud). Se concedido na modalidade total, o Estado nomeia e paga um advogado, cobre as custas judiciais e os honorários do administrador de insolvência. Consulte seg-social.pt/apoio-judiciario para mais informação.

Os honorários do administrador saem do meu salário?

Não directamente. Os honorários do administrador são pagos com o produto da venda dos bens da massa insolvente. Se não houver bens ou se forem insuficientes, o Estado cobre parte dos custos (com apoio judiciário). O que sai do seu salário durante a cessão é o rendimento disponível — que vai para pagar os credores, não os honorários.

O processo custa mais se tiver uma casa?

Sim. A existência de um imóvel aumenta os honorários do administrador (que tem mais trabalho na liquidação) e, potencialmente, os do advogado. Pode também prolongar a fase inicial do processo, se o imóvel demorar a vender. Contudo, mesmo com esses custos adicionais, o processo compensa financeiramente se as dívidas extintas forem substancialmente superiores — o que é quase sempre o caso. Para mais detalhes sobre a protecção da casa de família, consulte evitar a penhora da casa de família.

Quer Saber Qual o Custo Exacto para o Seu Caso?

Os custos dependem da sua situação específica: tipo e valor das dívidas, bens que possui, número de credores e comarca do tribunal. Envie-nos o seu caso e apresentamos uma estimativa detalhada de custos e os passos seguintes.

Contacte-nos pelo formulário de contacto, por email (advogados.geral01@gmail.com) ou WhatsApp (914 378 293). Respondemos em 24 horas com disponibilidade e honorários da consulta online. Escritórios em Porto, V. N. Gaia, Santo Tirso, Gondomar e Lisboa.

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