Em regra, não podem penhorar bens pertencentes aos seus pais para pagar uma dívida exclusivamente sua. O problema surge quando o agente de execução encontra bens na morada do devedor e não é imediatamente possível demonstrar a quem pertencem. Os pais devem reunir prova de propriedade e reagir rapidamente se um bem seu for incluído na diligência.

A dívida de um filho passa para os pais?
Não apenas por existir uma relação familiar ou por o filho morar na mesma casa. A responsabilidade depende de os pais também terem assinado a obrigação, prestado fiança ou aval, assumido a posição de codevedores, ou de existir outro fundamento legal.
Se nenhum desses fundamentos existir, a execução deve atingir o património do devedor, não o património dos pais.
Porque podem aparecer bens dos pais no auto de penhora?
Na penhora de bens móveis, a diligência ocorre frequentemente no local associado ao executado. A presença do bem nesse espaço pode gerar uma presunção prática de pertença ao devedor, mas não elimina o direito do verdadeiro proprietário de demonstrar o contrário.
Televisores, computadores, mobiliário e equipamentos comprados pelos pais devem ser identificados com documentos anteriores à penhora. Declarações produzidas apenas depois da diligência têm menor força quando não são acompanhadas de prova objetiva.
Que documentos ajudam a provar a propriedade?
- faturas e recibos com o nome dos pais;
- extratos bancários ou comprovativos de pagamento;
- garantias, seguros e contratos de manutenção;
- registo automóvel ou outro registo aplicável;
- fotografias antigas e documentos de mudança;
- contratos de empréstimo ou comodato quando o bem foi cedido ao filho.
O que fazer durante a diligência?
- identificar-se como proprietário ou possuidor do bem;
- mostrar a documentação disponível;
- pedir que a declaração e os documentos sejam mencionados no auto;
- anotar o processo, agente de execução e bens relacionados;
- não impedir fisicamente a diligência nem ocultar bens;
- obter aconselhamento imediato sobre o meio processual adequado.
Quando são usados embargos de terceiro?
Se a penhora ofender a posse ou um direito incompatível pertencente a quem não é parte na execução, o lesado pode recorrer a embargos de terceiro. O artigo 344.º do CPC prevê, em regra, 30 dias desde a diligência ou desde o conhecimento da ofensa e nunca depois da venda ou adjudicação.
A petição deve oferecer logo a prova. Se for recebida, o processo fica suspenso quanto ao bem abrangido e pode ser pedida a restituição provisória da posse, eventualmente sujeita a caução.
E se os pais forem fiadores?
Quando os pais assinaram como fiadores, avalistas ou codevedores, já não estão a ser atingidos apenas por serem familiares: existe uma obrigação própria. Deve analisar-se o contrato, o benefício da excussão quando aplicável, as comunicações do credor e a extensão da garantia. Consulte o guia sobre riscos do fiador.
Bens essenciais também podem ser penhorados?
O CPC protege determinados bens indispensáveis e prevê limites de penhorabilidade. Mesmo quando o bem pertence ao executado, deve verificar-se se é impenhorável ou se a extensão da penhora é excessiva.
Base legal
Artigos 342.º a 350.º, 735.º, 736.º, 737.º e 784.º do Código de Processo Civil consolidado. A solução depende da titularidade, da prova e do momento da reação.
Perguntas frequentes sobre bens na casa dos pais
O agente de execução pode entrar na casa dos pais?
A entrada e a diligência dependem do título de ocupação, da morada associada ao executado e das regras processuais aplicáveis. Os proprietários devem identificar-se, explicar que a casa lhes pertence e apresentar documentos, sem resistência física. Uma irregularidade deve ser invocada no processo.
E se já não existir a fatura?
A propriedade pode ser provada por outros meios: extrato do pagamento, garantia, seguro, fotografias anteriores, testemunhas e coerência entre rendimentos, data da compra e utilização. Quanto mais valioso for o bem, maior a importância de prova objetiva.
Um bem oferecido ao filho continua a pertencer aos pais?
Se houve uma verdadeira doação e entrega, o bem pode ter passado para o património do filho, mesmo que a fatura esteja em nome dos pais. A origem do dinheiro não é sempre igual à titularidade atual.
O contrato de arrendamento ajuda?
Ajuda a demonstrar quem ocupa o imóvel, mas não prova sozinho quem é proprietário de cada móvel. Deve ser combinado com inventário, faturas e prova de pagamento.
Posso reclamar depois da venda?
Os embargos devem ser deduzidos antes da venda ou adjudicação. Depois, as opções são muito mais limitadas e podem passar por ações indemnizatórias. A reação deve ser imediata.
Existe uma presunção de que os bens da casa pertencem ao devedor?
Numa diligência na residência do executado, a posse dos bens pode levar à sua inclusão no auto até ser demonstrado que pertencem a terceiros. Os pais devem identificar imediatamente os bens próprios e apresentar faturas, extratos, garantias, fotografias antigas ou outros elementos coerentes.
O agente de execução pode forçar a entrada?
A entrada coerciva numa habitação está sujeita às formalidades e autorizações aplicáveis, podendo envolver força pública. Impedir fisicamente a diligência não substitui a defesa judicial e pode agravar o problema; a propriedade deve ser afirmada no auto e pelo meio processual correto.